Ladrão de geladeira
Por: Guido Valério
Foto/Ilustração: Kid Ocelos
Publicado em: 07/2009
Certa vez, eu e meu primo decidimos ir pescar no lago da Floresta Negra, em Águas de São Pedro (SP). Quando chegamos lá, sentamos na beira de um barranco e preparamos nossas varas para começar a pescaria.
Lançamos a primeira isca. A segunda. A terceira. E nada! Ficamos enfezados e mudamos de estratégia: amarramos uma minhoca no anzol e jogamos na água.
Agora sim, tínhamos a certeza que desta vez viria peixe. Dito e feito. Realmente a minha vara fisgou um belo bitelo.
Aliás, não tão belo assim. Tratava-se de um peixe barbudo e todo sujo de barro. Era um “baita” de um bagre-africano, daqueles de tirar fotografia e mostrar o troféu no boteco.
Este peixe, porém, é terrível. Ele tem a capacidade de ficar horas, e até dias, fora da água sem morrer.
Bom, fisgamos mais algumas tilápias, outros peixes pequenos e foi tudo. Já estava anoitecendo, então resolvemos ir embora para a chácara onde estávamos alojados.
Pegamos o puçá e fomos para casa, cansados. Resolvemos não limpar os peixes naquela noite e o acordo que fiz com meu primo foi que eu iria limpá-los na manhã seguinte. Ele foi dormir e eu guardei os peixes na geladeira.
No dia seguinte, a surpresa. Tomei meu banho e fui dar um jeito naqueles peixes pra gente comer no almoço. Quando abro a geladeira... meu Deus! Tinha tomate roído, alface mastigada, lata de azeitona aberta, lata de cerveja pela metade, entre outras coisas! Logo pensei: “Aquele desgraçado do meu primo acordou de noite, fez toda essa bagunça e agora eu tenho que me virar para limpar tudo isso!”
Peguei o bagre, que tava na geladeira me olhando, para começar a limpar e deixei a bagunça para depois. Segurei-o firme para ele não escapar e senti que ele estava mais pesado do que antes, e com a barriga bem cheia.
Mesmo assim, ele se debateu. Como era muito escorregadio, escapou da minha mão e voou pela janela. No que caiu no chão, começou a se rastejar cuspindo tudo o que havia comido.
Saí correndo para pegá-lo, mas um gato enorme e gordo o agarrou antes que eu, pulando para o sítio vizinho com o peixe na boca.
Sem ter o que fazer, acordei meu primo para contar o ocorrido. Ele não acreditou e, para piorar, ainda disse que eu é que tinha aprontado a bagunça na geladeira!