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História de Pescador

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Dourado em fuga

Por: Lucas Weber de Carvalho Foto/Ilustração: Kid Ocelos Publicado em: 07/2009

Douradofujãoint.jpgEstava marcada a nossa pescaria de domingo em um pesque e pague na Rodovia Anhanguera. Após 30 minutos de uma tranqüila viajem, chegamos ao nosso destino.

Começamos a nos organizar e arrumar as varas com todo o cuidado necessário. Tudo perfeito, nada poderia dar errado, poderia? Pensávamos que não, porém não imaginávamos que nosso alvo poderia ser nosso carrasco.

Varas arrumadas, molinetes e carretilhas em ordem, iscas (salsicha no caso) preparadas...então arremessamos todas as bóias com cerca de 10 cm de distância do anzol, em diferentes direções. A pesca era feita com a vara na mão, pois a fisgada poderia ser instantânea e facilmente perdida. Não se passaram 3 minutos quando minha bóia violentamente abaixara, dei o tranco, mas não capturei meu troféu. Ao recolher a linha, percebi que a salsicha não estava inteiramente comida, fazia um ‘U’ mas não atingia o anzol, característica dos dourados locais.

Prossegui arremessando no mesmo ponto promissor. Alguns piaus, matrinxãs e mais nada do dourado malandro. De repente a bóia se afunda e eu perco a fisgada novamente. A salsicha havia sido cortada igualmente, percebi então que o pilantra voltara. Continuei arremessando, e o dourando gozando de mim, partindo minha isca e me deixando nervoso.

Resolvi então, mudar de estratégia. Isquei a salsicha de outra maneira e “voalá”, funcionou. Fisguei o meu inimigo que pulava incessantemente na briga para se soltar do anzol. Pedi a meu amigo que buscasse o passaguá. Chegando próximo a borda o dourado começou a ficar bastante agitado, não parava de pular. Aproximou-se da margem e em sua última tentativa de se livrar do anzol, teve êxito. Porém, ao perceber o pulo de uma forma diferente (agora o peixe estava sem o anzol ), meu amigo ergueu o passaguá, capturando o Dourado em seu salto.

Fora derrotado o meu inimigo, que felicidade! Mas eu não esperava que o passaguá estivesse furado em uma de suas partes, e ele foi usado como ‘furo de fuga’ para meu Dourado.

Na verdade, o real derrotado fora eu, com direito a ser zombado, humilhado, etc. POR UM PEIXE. Isso era demais para mim, reuni minhas coisas e fui embora, com uma única certeza, sai com uma história que poderia ser compartilhada em uma reunião de pescadores, caçadores e outros mentirosos.

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