Acredite se quiser
Por: Sérgio Kinjo de Almeida
Foto/Ilustração: Kid Ocelos
Publicado em: 07/2009
Este é mais um “causo” daqueles que dão má fama a nós pescadores, mas é pura verdade, eu garanto. Tudo começou com a nossa partida para o rio Paraguai, no Mato Grosso. Tralha no caminhão e seguimos viagem. Chegando perto, a estrada de terra estava encharcada e o caminhão atolou.
Qual não foi a nossa sorte, uma sucuri, a uns 20 metros, estava atravessando a estrada de terra. O bicho, eu juro, tinha uns 150 metros de comprimento. Aí eu fui muito esperto e não deu outra: rapidamente amarrei uma corda na cobra e a danada tirou a gente do atoleiro.
Seguimos viagem, já na barranca do rio, armamos o acampamento. Tiramos as “tralhas”, o barco e a bateria para as luzes da noite. Para nossa nova surpresa, a bateria “arriou” e o acampamento ficou às escuras. Sorte que, ainda bem, eu conhecia o local como a palma da minha mão.
Fui até uma lagoa próxima, lancei uma isca na água e fiquei esperando. Deu um tempo, fisguei um poroquê (peixe elétrico) de uns 70 kg. Então, ficou fácil demais. Deu para recarregar a bateria e iluminar o acampamento pelos sete dias que ficamos lá.
À noitinha ficamos em volta da fogueira me lembrei de alguns casos verídicos. Eram dois cumprades meus, criados juntos desde pequenos. Quando grandes, um se casou com a moça mais linda da cidade e o outro que gostava dela ficou na mão. Certo dia, não aguentando mais, foi na casa da “cumadre” e se declarou. Mas a mulher não aceitou e pôs o “cumpradre” para fora de casa.
Quando o marido chegou, viu o “cumpradre” na correria indo embora. Curioso, perguntou à esposa o ocorrido. E ela, para não separar os amigos, disse que o “cumprade” tinha vindo emprestar a espingarda, e como não tinha autorização do marido, resolveu não emprestar.
O marido, indignado, pegou a espingarda e foi atrás do coitado que corria desesperadamente. Ele avistou o cumprade e com a espingarda na mão começou a gritar: “cumprade, vou lhe dar o que você merece!”. No entanto, o marido não alcançou o velho amigo e nunca mais ouviu falar dele.
Outra estória foi quando o meu amigo cearense me convidou para ir pescar lá nos sertões do Ceará. Quando cheguei no lugar escolhido, ele me deu uma espingarda para pescar. Não entendi, mas ele falou que a seca na região estava tão brava que as lagoas estavão tão secas que os peixes estava escondidos nas árvores. Ainda bem que o resta da pescaria foi bem.
Se vocês duvidam disso tudo, tenho as fotos para mostrar...
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