Sem visão não tem peixão
Por: Fernando da Silva Costa
Publicado em: 09/2009
Sei que é repetitivo dizer que os pescadores têm fama de mentirosos e com essa história eu até poderia entrar na lista dos que contam “causos” de pesca. Mas garanto que tudo nessa história é a pura verdade. O fato é que faço parte de um grupo que sempre sai por esse Brasil afora em busca de grandes peixes e não é difícil se surpreender com fatos capazes de deixar qualquer um de queixo caído.
Nossa viagem partiu de São Paulo rumo ao Pantanal, que na época tinha bons peixes e não sofria com a ação de pescadores inconseqüentes. Na beira do rio, todos estavam animados para jogar isca n’água. Um dos companheiros, o Almir, sofria para arrumar o seu equipamento. Num desespero só não conseguia passar a linha no buraco do anzol. Moacir, percebendo a dificuldade do amigo, deu uma mãozinha e insistiu que o Almir não precisava de um bom peixe e sim de bons óculos. Já vermelho, ele admitiu que estava um pouco “cegueta” mas encheu a boca para dizer que isso não seria problema para capturar o seu peixão.
Confiante, jogou isca n’água e começou a pescar – e dentro do barco o papo rolava em torno desse assunto. Todos da turma já tinham fisgado o seu e Almir, sem dar o braço a torcer, fingia que nada acontecia. A pescaria já estava terminando e o Almir começou a ficar nervoso porque não tinha conseguido nada. Todo mundo já queria ir embora quando ele sentiu um puxão e com rapidez tentou ferrar o peixe. Briga daqui, briga dali, e ele percebeu que o anzol trazia mais coisa além do exemplar.
Quando finalmente conseguiu puxá-lo para perto do barco adivinhe o que veio junto? Isso mesmo, os óculos de grau! Todo mundo ficou indignado dizendo na mesma hora: Almir, isso é um sinal!!! Na verdade, até ele ficou um pouco confuso e bem bravo achando que alguém tinha armado uma pegadinha. Ficamos também encafifados com o fato, mas depois descobrimos que um pescador de um “barco vizinho” tinha perdido os seus óculos quando tirava o peixe da água e que acabou sendo achado pelo Almir, ou melhor, pelo peixe do Almir...