Os bagres do vovô
Por: Luiz Henrique Zenaro
Publicado em: 08/2009
Essa história aconteceu há muito tempo quando meu avô Antônio e mais dois amigos foram pescar no rio Mogi (SP), que na época era muito procurado pelas boas pescarias de bagre.
Tudo aconteceu em uma manhã quando o “trio parada dura” arrumou toda a tralha e partiu para uma pescaria que prometia ser muito boa. De todos, o meu avô era o mais ansioso. Ele queria dar um show de novas técnicas, ações e fisgar grandes bagres.
As horas corriam, os peixes batiam, os dois amigos do meu avô já tinham fisgado muitos peixes e ele... nada. A sorte não estava mesmo do seu lado, poucos peixes atacaram sua isca e quando isso acontecia, adivinhem? O peixe sempre dava um jeito de escapar.
A noite caía e meu avô continuava sapateiro. Foi aí que ele resolveu fazer a última tentativa: caprichou na isca, escolheu um bom lugar e arremessou. Minutos depois, para sua surpresa, alguma coisa pesada e grande puxou a linha e a briga começou. Puxa daqui, puxa dali e nada de conseguir tirar o bicho da água. Estava difícil para o meu avô controlar a ansiedade, era a chance de fisgar um peixão e deixar seus companheiros babando de inveja. Mas não foi bem isso que aconteceu. Quando finalmente conseguiu tirar a linha da água veio a surpresa: o “grande peixe” era um belo tronco. A decepção foi total e meu avô, já nervoso, ficou mais ainda com a gozação dos amigos.
Passados alguns instantes, mais conformado, meu avô disse: “vou levar esse tronco para casa, deixar secar e usar como lenha. Fazer o quê?!”. Chegando em casa, enquanto os companheiros limpavam os bagres que tinham pescado, meu avô pegou o machado para rachar o tronco e fazer uma boa fogueira. Na primeira machadada, a surpresa: dentro do tronco oco haviam sete bagres muito maiores que os dos seus dois amigos! Convenhamos, para quem ainda não tinha fisgado um peixe, essa foi uma façanha e tanto.