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História de Pescador

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Torostículo

Por: Roberto Ferraz Foto/Ilustração: Kid Ocelos Publicado em: 06/2009

HUMOR173interno.jpgSou de Ji-Paraná, interior de Rondônia. Reuni uns amigos e minha esposa e fomos pescar no rio Preto, em Porto Velho, a nossa capital. 

Quando chegamos no local planejado, pegamos uma semi-chata de cinco metros, do meu amigo. Amarramos o barco à margem direita, em um galho de um tronco caído no meio do rio, que estava de atravessado.

Dentro da embarcação, ficamos dispostos da seguinte maneira: minha esposa na proa do bote, junto com as galhadas, de uma forma que a coitada quase não tinha condições de jogar a linha. Sentei no banco longo. Depois veio meu compadre, a esposa do meu amigo dono do barco e o marido dela no banco do piloto.
Ninguém tinha conseguido pescar nada até então. Quer dizer, só minha querida esposa, para castigo nosso, tinha fisgado três jatuaranas. Ela pinchava à beira da mata, perto dos galhos e de repente conseguia pegar.

Para piorar, durante as “brigas” com as jatuaranas, a minha esposa sempre acabava me dando varadas porque a única área aberta que ela tinha para brigar com peixe, era justamente do meu lado.

Mas como nada é tão ruim que não possa piorar, depois de apanhar a cada peixe, chegou a parte mais “dolorida” da história.

Minha esposa, com muita paciência e toda orgulhosa por ter sido a única a pegar, arrumou a isca no anzol e arremessou com toda força possível, na esperança de pegar mais um.  Mas como ela tinha se esquecido de destravar o molinete, só deu para ouvir um chiado no ar.  Com uma precisão de relógio suíço, a chumbada bateu direto no meu testículo direito. Fiquei cego, sem fala, com ânsia de vômito e soltei um tremendo de um gemido. Estava tonto.

Minha esposa preocupada perguntou: “Te acertei?”.
Não consegui responder.

Ela, ainda mais preocupada, perguntou novamente. Arranquei lá do fundo do útero (opa, mas homem não tem útero?!?) umas palavras e falei, com a voz embargada: “Você acertou meu torostículo”.
Foram risadas e mais risadas. Ninguém ligou para meus olhos cheios de lágrimas de dor. O pessoal queria mesmo é dar risada da forma como falei.

Voltamos para o acampamento e todos só me chamavam de "torostículo".

Não sei como ainda o apelido não pegou. Mas depois dessa, acho que vai pegar...

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