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História de Pescador

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Remos pra que te quero

Por: Thiago Rodrigo Fernandes Foto/Ilustração: Kid Ocelos Publicado em: 04/2009

Minha Varinha MágicaA história que contarei a seguir pode até parecer mais um causo de pescador, mas asseguro a vocês que não é, e realmente aconteceu comigo.

A origem de tudo foi a crise econômica que atinge o mundo nesse momento. Trabalhava em uma grande empresa da região onde moro que com a crise precisou fazer alguns cortes, e eu acabei perdendo o meu emprego. Mas é como dizem: “há males que vem para o bem”.

Meu tio que tem um rancho de pesca no interior de São Paulo logo que soube da minha demissão me ligou e combinamos uma pescaria.

Em plena segunda-feira (já que agora tinha uma vida de marajá) arrumamos toda nossa tralha, botamos o barco na carretinha e caímos na estrada. Depois de três horas de viagem chegamos a nosso destino, com muita pressa descarregamos tudo e nos mandamos para o rio. Segundo os pescadores locais estava saindo muitas corvinas e alguns douradinhos naquele dia.

Logo estávamos no meio do rio fisgando nossos sonhados peixes. Uma, duas, três, quatro corvinas de grande porte já tinham animado nosso fim de tarde, mas foi ai que repentinamente o tempo começou a mudar. Meu tio tentou dar partida no barco e nada do motor responder, tenta de novo, mais uma vez e nada. Sem alternativas teríamos que apelar aos remos.

Foi quando começou o desespero. Com toda euforia e ansiedade que estava para pescar acabei esquecendo de pegar os remos. Pensa daqui, pensa dali, eis que tive uma idéia. Como o rio é muito conhecido por seus grandes mandis arrumei um molinete com uma linha bem grossa e um anzol 12/0. Usei umas três minhocas inteiras como isca e arremessei próximo a um poço que conhecíamos bem. Para minha surpresa não demorou muito para uma grande fisgada. A ponta da vara dobrava quase encontrando na água, e tome linha, briga de cá, briga de lá, e a linha quase no fim.

Depois de todo esse sufoco consegui embarcar o danado do mandi, e não é que ele foi a nossa salvação. De tão grande que o bicho era usei uma faca para com dificuldade cortar seus dois ferrões. Pronto já tínhamos os remos para retornar ao rancho. Nos dias seguintes até esquecemo-nos das corvinas e só pensávamos em capturar outros mandis.

 E o par de remos, feito com os ferrões, ficou tão perfeito que agora quando vamos pescar só usamos eles.


 

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