"Viajando pra Mato Grosso, Aparecida do Taboado"
Cercada pelos rios Paraná, Grande e Paranaíba, Aparecida do Taboado oferece diversificados pontos de pesca para os tucunarés
Por: Juninho
Foto/Ilustração: Silmar Serafin
Publicado em: 07/2009




O título da matéria é uma frase da música “60 dias apaixonado”, de Darci Rossi e Constantino Mendes. Gravada inicialmente em 1978, foi um dos primeiros sucessos da dupla Chitãozinho e Xororó e fala sobre a história de uma paixão que aconteceu em Aparecida de Taboado (MS).
Na música, os cantores dizem que jamais irão esquecer da cidade sul matogrossense. Eu posso dizer o mesmo, mas meus motivos para sempre lembrar de lá são outros.
Tudo começou quando fiz uma pescaria de tucunarés extremamente interessante, acompanhado por Silmar Serafim, o Serafa, um grande amigo conquistado graças à pescaria.
Optei por lá porque nada tinha sido feito na região, e olha que o local apresenta três excelentes opções de pesca: o rio Paraná, Grande e Paranaíba.
Outros bons motivos que me levaram para lá foram as notícias de boas pescarias e ter uma pousada bem interessante localizada às margens do rio Paraná. Ela seria o nosso ponto de apoio nesta cruzada e foi construída em meio à mata ciliar nativa e todos os detalhes foram pensados em sua construção para não agredir o meio ambiente.
Amarelos e azuis rio acima
Após navegar 30 km da pousada que fica bem próximo à monumental ponte rodo ferroviária, um dos cartões postais da região, começamos nossa aventura no rio Paranaíba, que tem cenário cinematográfico para os olhos de pescadores.
O dia estava muito agradável, sem ventos e com as águas calmas, o que possibilitava ver as estruturas submersas. Compostas por pouca vegetação subaquática, mas com muitos pedrais, troncos, galhadas e grandes áreas de águas rasas, com água não muito cristalina.
Esta última característica faz com que a espécie do tucunaré-amarelo predomine no local. Mas os bocudos azuis também estão presentes. Fato comprovado ao final do dia em que tivemos o dobro de amarelos capturados para a da quantidade de azuis.
No Paranaíba tive muitas ações e o privilégio de capturar um grande tucunaré-amarelo, que brigou feito gente grande, mostrando que a espécie é realmente muito mais forte e brigadora do que o azul. Em contrapartida, os azuis têm conversão alimentar maior e por isso, crescem mais rápido, são menos manhosos e se arriscam mais.
Enfim, não importa a cor, mas a indescritível emoção que fisgar um tucuna traz. Sempre digo que o tucunaré aqui no Sudeste foi um presente de Deus.
Afinal, depois do represamento dos rios a piracema não ocorre mais - fenômeno no qual os peixes nadam contra a correnteza para reprodução e desova. Algumas espécies nativas não conseguem mais se proliferar. O tucunaré por ser de ambiente lêntico, encontra nessas águas condições ideais para se reproduzir.
Muitos pescadores menos informados colocam o tucunaré como “vilão”, mas, na verdade, ele não é. É sim o “mocinho”, pois se alimenta de tilápias, corvinas e ainda camarões de água doce, controlando suas populações. Com isso, ganham peso rapidamente e dão “show” nas capturas, com saltos acrobáticos e o forte som nas suas ações na flor d’água.
Esta matéria pode ser conferida na edição 172 da Pesca & Companhia. Assine a revista!
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