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Tucunas em Miguelópolis

Na divisa entre Minas Gerais e São Paulo, Miguelópolis é um berço de bons tucunarés e diversão garantida

Por: Lester Scalon Foto/Ilustração: Arquivo Pesca & Companhia Publicado em: 07/2009

internalester0807.jpginterna2lester0807.jpginterna3lester0807.jpginterna4lester0807.jpginterna5lester0807.jpgSituada no triângulo mineiro, na divisa de Minas Gerais com São Paulo, o lago de Miguelópolis foi criado em 1974 pela represa de Volta Grande no rio Grande. A convite da Pousada do Pescador, situada no município de Miguelópolis, a 500 km da capital Paulista, fui com meu amigo Márcio Espanhol para mais uma pescaria.

O que encontramos ao chegar na represa foi um grande desafio. Com uma área alagada de 200 km², o lago é muito largo (alguns pontos chegam a ter mais de 3 km) e aberto o vento fazia grandes marolas tornando desconfortável a navegação e a pescaria. Buscar e encontrar os poucos locais onde o vento permitiria pescar não seria fácil. Tínhamos dois dias de pesca, mas com as adversidades climáticas encontradas prevemos que seria uma tarefa árdua. 

Primeiro ponto

Nosso primeiro ponto foi um dos mais tradicionais: a famosa “ilha submersa”. Na realidade o ponto não é uma ilha e sim uma parte de terras inundadas, que afloram um pouco no meio do lago, com uns poucos troncos fora d’água que denunciam o local (20”08’20.26° S  - 40”06’43.65° O) a 8.500 m de Miguelópolis.

Por ali, no dia anterior, vários barcos tiveram sucesso. Mas como o vento nos impediu de pescar no local, partimos a procura de um lugar mais abrigado e entramos na primeira baía abaixo da “ilha submersa”. Ali encontramos uma baía onde as águas estavam mais calmas, uma excelente condição para pescar na superfície. Como adoro esse tipo de pesca, foi lá que começamos nossa pescaria.

Não demorou muito até a primeira ação na isca do Espanhol, oportunidade que não perdi e acabei capturando um pequeno azul que estava solitário.

Um pouco mais à frente aconteceu outra batida na isca do Espanhol. Desta vez ele não deu mole e na seqüência capturou um belo azulão. Mal o belo exemplar, que já estava com seu famoso ”cupim” avermelhado, mostrou a sua cara e ele logo voltou as águas nos dando um adeus.

Cada vez mais forte, o vento parecia mudar de direção e nossa pescaria mais complicada. Depois de muitos arremessos, o Espanhol consegue enfim um belo amarelo. Sua tradicional ferocidade para lutar quando fisgado e suas cores reluzentes fazem dele um dos grandes astros da pesca esportiva. Já no final do primeiro dia, na única hora que vento deu trégua, capturei um belo azulão. A cena emoldurada pelo lindo por do sol nos proporcionou belas e inesquecíveis imagens.

Pescando na parte alta do lago

Logo pela manhã o vento já assobiava e os famosos “carneirinhos” já estavam na água.

Com muito desconforto fomos devagar subindo o rio “catando” os locais onde dava para pescar. Pelo menos alguns pequenos azuis encardumados apareceram, garantindo um pouco de emoção.

Subimos até o ponto conhecido por pantanalzinho com muita dificuldade e o vento, parceiro de toda hora, não dava tréguas e mudava a todo momento de direção. Até um pequeno redemoinho levantou uma coluna d’água de uns 5 m de altura no lago, mas tomou rumo oposto ao do nosso barco e sumiu em meio a tormenta.

Apesar dos esforços para chegar ao pantanalzinho, não tivemos uma ação. Essa situação nos deixou em alerta, pois isso era um sinal de que a pressão de pesca e a matança estavam causando efeitos comprometedores.

Passado o meio dia, a ventania quis dar uma trégua quando estávamos no “paliteiro do Aristides”, um ponto tradicional de grandes exemplares. Mas a ameaça de chuva trouxe uma nova ventania maior ainda, levando nossa esperança de capturar os nossos peixes.

Mais no final da tarde, o vento parecia dar uma trégua. Nesse momento conseguimos capturar vários exemplares que nos proporcionaram um pouco de diversão. Foram várias ações, mas infelizmente voltei para casa preocupado, os grandes peixes estão cada vez mais raros. A magia da pesca que move milhões de pescadores pode estar escorrendo por entre os nossos dedos.

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