Luizão: o craque dos gramados também dá show nas pescarias
Confira a entrevista com o ex-jogador Luizão, que agora aproveita as horas livres para pescar
Por: Lielson Tiozzo e Rafael Peres
Foto/Ilustração: Alex Koike
Publicado em: 10/2009










Maior goleador brasileiro da história da Copa Libertadores da América com 27 gols, campeão do mundo pela Seleção em 2002 e ídolo de praticamente todos os clubes em que jogou. Esse é Luiz Carlos Bombonato Goulart, o famoso Luizão.
Para a alegria do mundo da pesca esportiva, o ex-jogador e agora empresário também acrescenta ao seu currículo o talento de pescador. Quem pensava que Luizão era apenas um fazedor de gols, está enganado. Ele também tem certa paixão pela pesca e mostrou isso para nossa reportagem.
A nosso convite, Luizão foi até o pesqueiro Feroz, em Santana do Parnaíba (SP), fisgar algumas patingas com as iscas artificiais Moriah.
O ex-jogador falou sobre sua carreira e o gosto pela pesca em comparação com o futebol.
Confira!
Pesque & Companhia- Luizão, tudo bem? A gente sabe que você adora pescar, conte uma história engraçada de pesca...
Luizão: Comigo tudo bem. Poxa uma história engraçada de pesca? ... Uma vez o tucunaré pulou da rede e deu uma lambada no meu avô. Ele se assustou e também estava cheio de cachaça...(risos) Pena que meu avô faleceu e se chamava Luiz Merin.
P&C: A pesca costuma ser uma atividade comum entre os jogadores de futebol?
Luizão: A pesca é mais uma terapia para o ser humano, né? Tem jogadores que quando se concentram em locais que oferecem pesca, vão pescar para passar o tempo. A pesca para nós é mais para distrair mesmo.
P&C: Tem algum peixe favorito e que ficou marcado?
Luizão: Não lembro de um em especial. Mas fui recentemente para Coxim (MS) e pesquei alguns bons dourados. O peixe que eu gosto muito de fisgar, com certeza, é o dourado.
P&C: Tem algum lugar favorito para pescar?
Luizão: Gosto de ir a Coxim, Albuquerque (MT), no Pantanal. Estou indo muito pescar porque agora tenho mais tempo, né? (Luizão parou de jogar bola desde o começo do ano, quando fissurou os tornozelos enquanto atuava pelo Guaratinguetá-SP).
P&C: Mudando um pouco de assunto, faça um resumo de sua carreira?
Luizão: Comecei em Santa Fé do Sul, fui para o Guarani com 13 para 14 anos. Joguei um tempo no Paraná e voltei para o Guarani. Depois fui para Palmeiras, La Coruña (ESP), Vasco, Corinthians, Herta Berlin (ALE), Grêmio, São Paulo, Santos e Flamengo. Meu último clube foi o Guaratinguetá, que é dirigido por meus amigos. Eu tentei jogar, mas fissurei os tornozelos depois de dois jogos e tive que parar. Por enquanto, eu não sei ainda o que vou fazer. Mas se eu não for mais jogar futebol, creio que serei empresário mesmo.
P&C: Teve alguma passagem marcante por algum clube?
Luizão: Graças a Deus, eu tive passagens boas por muitos clubes. Desde o Guarani ao Flamengo, o último time que eu ganhei título, a Copa do Brasil de 2006, a única conquista que faltava para a minha carreira. Mas o clube que mais marcou a minha carreira, sem dúvida, foi o Corinthians.
P&C: Sua família se identifica muito com o Corinthians, não é?
Luizão: Meu pai, Aparecido Goular, o Cidão, é corintiano. Na caixa d’água do meu sítio em Rubinéia (SP) tem o distintivo do Corinthians. Então, temos sim uma identificação maior com o Corinthians.
P&C: Fale sobre a sensação de ser campeão do mundo em 2002 pela Seleção...
Luizão: Acho que ser campeão do mundo é um ápice da carreira de um atleta. Sou bastante feliz, muito grato a isso e abençoado. Saí de uma cidade pequena e conquistei muitos títulos na carreira. Ser campeão do mundo é uma alegria imensa, são poucos que conquistaram este título se você contar as Copas. Então é muito gratificante e só posso agradecer a Deus.
P&C: Agora, voltando à pesca, tem alguma comparação entre marcar um gol e fisgar um peixe grande?
Luizão: É diferente. Não tem essa comparação. Acho que no futebol, você fazer um gol e ver 80 mil pessoas comemorando é diferente. Pescar um peixe é maravilho, mas a emoção de fazer um gol é inigualável.
P&C: Você já foi pescar com algum jogador?
Luizão: Já sim, fui com o Branco, lateral-esquerdo, que jogou na Ponte Preta, Bahia, Atlético Paranaense, não é aquele da Copa de 1994. Ele foi comigo para Coxim e foi bem bacana, passamos 16 dias em uma ilha.
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P&C: É mais fácil pegar um peixe ou fazer o gol?
Luizão: Depende de como vem a bola. (risos) Se a bola vier como veio na final da Libertadores entre São Paulo e Atlético Paranaense, é mais fácil fazer o gol.
P&C: Dá para dizer que a pesca é um dos seus passa-tempos favoritos?
Luizão: Pescar é um dos meus passa-tempos. Mas gosto muito de ir para Maresias, jogar um futevôlei e curtir a praia.
P&C: Fale um pouco mais sobre Rubinéia, sua cidade natal.
Luizão: Rubinéia é uma cidade muito visitada por gente de São Paulo, por ser na barranca do rio Paraná e por oferecer variados tipos de pesca, principalmente do tucunaré, peixe que é muito gostoso de pescar. É uma cidade turística, muita gente que gosta de jet-ski pode aproveitar muito bem. É bem limpa, sem querer puxar saco do meu pai, que é prefeito.
P&C: Na sua opinião, o que falta para a pesca esportiva chegar ao patamar do futebol?
Luizão: Olha, em Rubinéia vai ter um campeonato de tucunaré, por exemplo. Meu pai vai promover o campeonato este ano. Eu vou divulgar, porque sempre tive prazer de falar de Rubinéia. No que depender de mim para ajudar, vou estar à disposição. Mas falando da pesca esportiva de um modo geral, acho que falta divulgação e incentivo. Todo esporte, até o futebol, são poucos os que têm a sorte e o incentivo cultural.
P&C: Então, dá para ver que sua família tem uma raiz de pescadores?
Luizão: Acho que sim. Talvez seja porque a gente tem uma área muito bonita na barranca do rio Paraná, onde antigamente passava a balsa que ligava São Paulo a Mato Grosso do Sul. Temos mais de 3 km à beira da água. Dá para você ver os tucunarés, na época dos cardumes. Temos barcos, tudo mais, e isso incentiva toda a minha família. É um lazer muito bacana. Então a gente se diverte muito. Minha família toda gosta de ir pescar por lá.